Nos meus 20 anos de experiência em registrar marcas de empresas de todo Brasil posso dizer que registrar marca não é fácil e muito menos rápido. O processo de registro de marca no INPI é uma maratona jurídica e burocrática que dura de 12 a 18 meses.
Durante esse período, o processo passa por uma esteira de análise onde qualquer detalhe técnico mal resolvido pode resultar na perda do nome da empresa e do dinheiro investido nas taxas federais.
Problemas durante o processo de registro de marca: como evitá-los e resolvê-los da melhor forma
Para evitar problemas e resolvê-los durante o processo de registro, é preciso dominar os quatro principais gargalos desse processo.
Evite problemas durante o processo de registro: CONTRATE clicando no botão abaixo para falar agora:
Veja o diagnóstico completo de cada problema, como resolvê-lo e, o mais importante, como evitá-lo:
1. Oposição de Terceiros: o que é e como acontece?
Logo após o seu pedido ser publicado pelo INPI, abre-se uma janela legal de 60 dias. Nesse período, qualquer empresa que se sinta prejudicada (por achar que o seu nome ou logotipo se parece com o dela) pode entrar com uma contestação formal para tentar barrar o seu registro.
Como resolver:
Se a sua marca sofrer uma oposição, você deve protocolar uma peça jurídica chamada Manifestação à Oposição dentro do prazo de 60 dias. Nela, você deve argumentar tecnicamente que as marcas possuem distinções visuais, fonéticas ou conceituais suficientes, ou provar que elas atuam em segmentos de mercado completamente diferentes (princípio da especialidade), eliminando o risco de confusão no consumidor.
Como evitar:
O segredo está na pesquisa de anterioridade fonética e por radical. Não busque apenas o nome exato no INPI. Se você quer registrar “Veloce”, precisa buscar por “Veloci”, “Veloz”, “Weloz”. Além disso, avalie o mercado: se já existe uma marca forte parecida na mesma classe ou em classes afins, o risco de oposição é imenso.
2. Cumprimento de Exigência Técnica
O que é e como acontece?
Durante a análise do processo, o examinador do INPI pode encontrar alguma inconsistência documental ou técnica. Pode ser a falta de uma assinatura, um documento de CNPJ desatualizado, ou a escolha de uma atividade que não condiz com o objeto social da sua empresa. O INPI paralisa o processo e publica uma “Exigência”.
Como resolver:
O prazo para resolver uma exigência é de apenas 5 dias corridos a partir da publicação na Revista da Propriedade Industrial (RPI). Você deve protocolar a petição de Cumprimento de Exigência, anexando os documentos corrigidos ou justificando as alterações solicitadas pelo examinador, além de pagar a taxa de contingência do INPI (R$ 90,00 com desconto).
Como evitar:
Faça um checklist rigoroso antes do protocolo inicial. Certifique-se de que o Contrato Social da empresa ou o Certificado de MEI possua CNAEs que batam exatamente com a classe de Nice escolhida. Se for usar logotipo, envie a imagem em alta definição e no formato estrito exigido pelo sistema do e-Marcas.
3. O Temido Indeferimento (A Recusa da Marca)
O que é e como acontece?
Após quase um ano de espera, o examinador do INPI publica a decisão final de primeira instância. Se ele julgar que a sua marca infringe o Artigo 124 da Lei de Propriedade Industrial (LPI) — seja por colidir com marca alheia anterior ou por ser um termo puramente descritivo e genérico —, o seu pedido será Indeferido.
Como resolver:
Contra o indeferimento, cabe apenas um Recurso contra Indeferimento, que deve ser protocolado no prazo de 60 dias. Trata-se de uma peça jurídica altamente complexa enviada para a Diretoria de Marcas (segunda instância do INPI). Se você perder esse prazo ou se o recurso for negado, o processo é extinto definitivamente.
Como evitar:
Nunca avance com um processo baseado no “eu acho que passa”. A análise de viabilidade inicial precisa ser jurídica e crítica, separando o que é uma marca fraca (descritiva) de uma marca forte (evocativa ou arbitrária). Se a busca apontar colidência com marca de terceiro, o melhor caminho é redesenhar o Naming antes de gastar tempo e taxas.
4. Arquivamento por Perda de Prazos (O Erro Silencioso)
O que é e como acontece?
O INPI não envia e-mails, SMS ou notificações para avisar sobre oposições, exigências ou sobre a publicação da aprovação da marca. Muitas empresas entram com o processo por conta própria, esquecem de acompanhar semanalmente e, quando voltam ao sistema meses depois, descobrem que o processo foi arquivado porque perderam um prazo fatal de 5 ou 60 dias.
Como resolver:
Na esmagadora maioria das vezes, a perda de prazo por distração não tem reversão. O processo morre e o nome fica livre para qualquer concorrente registrar. A única exceção é se você provar “justa causa” (como um desastre natural ou problema grave de saúde pública que impediu o protocolo), o que é raríssimo de ser aceito pelo INPI. O remédio padrão é pagar as taxas novamente e recomeçar o processo do zero.
Como evitar:
O acompanhamento deve ser cirúrgico. Toda terça-feira de manhã, o INPI publica a Revista da Propriedade Industrial (RPI). É obrigatório baixar a revista ou utilizar um software automatizado de monitoramento de marcas que cruze o número do seu processo com as publicações oficiais para te alertar em tempo real sobre qualquer movimentação.
5. Desatualização Legal e Normativa (Falta de Acompanhamento das Regras)
O que é e como acontece?
O INPI altera suas diretrizes de exame, resoluções institucionais e valores de tarifas para se modernizar. O maior exemplo disso foi a transição para o sistema de Taxa Única. Empreendedores que tentam fazer o registro de forma autônoma costumam seguir guias e manuais estáticos da internet. Ao aplicar regras antigas a um sistema novo (ou vice-versa), eles emitem guias com códigos errados, anexam documentos fora dos novos padrões exigidos ou perdem prazos de novas etapas processuais.
Como resolver:
Se o processo sofrer uma exigência por conta de uma guia paga erroneamente ou mudança de padrão sistêmico, é preciso emitir uma nova GRU complementar de correção e protocolar uma petição justificando o equívoco antes que o prazo de resposta (geralmente de 5 dias) expire. Se o prazo passar, o processo é arquivado irrevogavelmente.
Como evitar:
Não confie em tutoriais antigos. O acompanhamento normativo deve ser feito direto na fonte: na aba de “Notícias” e “Resoluções” do portal oficial do INPI, ou delegando o processo a um especialista que viva o dia a dia do órgão e seja notificado imediatamente sobre qualquer mudança na legislação ou nas tarifas.
Abaixo: Tabela com Resumo de Ação Preventiva
| Problema | Principal Causa | Ferramenta de Prevenção |
|---|---|---|
| Oposição | Falha na análise de marcas parecidas (fonética). | Busca profunda por radicais e sinônimos antes do design. |
| Exigência | Documentação errada ou CNAE incompatível. | Sincronizar o CNPJ com as classes do INPI antes do envio. |
| Indeferimento | Nome genérico ou cópia conceitual. | Diagnóstico realista baseado no Art. 124 da LPI. |
| Arquivamento | Falta de leitura da RPI (Revista do INPI). | Monitoramento semanal obrigatório (toda terça-feira). |
| Desatualização Legal | Seguir tutoriais antigos e ignorar mudanças de taxas (como a Taxa Única) e regras do órgão. | Acompanhamento direto do portal do INPI ou contratação de assessoria especializada especializada. |
Registrar uma marca empresarial no INPI não é apenas preencher um formulário na internet, mas sim uma gestão de risco técnico que exige o olhar de um especialista.
Artigos Relacionados a Registro de Marca
Riscos em Registrar Sua Marca por Conta Própria
Ronaldo Baker há mais de 20 anos ajuda empresas de todo Brasil a registrarem suas marcas. Entre em contato agora pelo WhatsApp.

